História do MOFRA

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O Movimento da Fraternidade teve o seu surgimento entre as criaturas reencarnadas no Brasil no memorável mês de fevereiro de 1949, por ocasião da visita do confrade Francisco Peixoto Lins (o Peixotinho), portentoso médium de efeitos físicos, em nossas terras mineiras.

Com a viagem, Peixotinho, evidentemente planificara desfrutar do convívio íntimo com o nosso querido Francisco Cândido Xavier. Entrementes, a Espiritualidade Superior reservava-lhe mais que isto: o início do ciclo das extraordinárias materializações luminosas de espíritos, sendo uma delas em Pedro Leopoldo e outras três em Belo Horizonte, na residência do confrade Jair Soares.

Nessas reuniões, em algumas das quais esteve presente o Homem-Amor, Chico Xavier, foi obtida a cura da esposa do nosso irmão Jair Soares, a inesquecível Ló, então portadora de câncer pulmonar irreversível, conforme diagnóstico de eminentes médicos da época.

Incorporou-se, a partir daí, ao grupo recém criado, o irmão Ênio Wendling e o jovem Fábio Machado, este último indicado por Francisco C. Xavier, dupla com grandes potencialidades mediúnicas. Eles se colocaram a serviço do Cristo, contribuindo para o sucesso dos trabalhos de tratamento aos enfermos, ocorrendo extraordinários fenômenos ectoplasmáticos, de transportes, pneumatofonia, pneumatografia, etc.

Nem sempre Francisco C. Xavier podia se fazer presente nessas reuniões. No entanto, nosso irmão Jair Soares relatava-lhe freqüentemente os acontecimentos, através de missivas e o Apóstolo do Amor as respondia com imenso carinho e entusiasmo.

Encontramos nas cartas do querido médium ao irmão Jair Soares, afirmações como as que se seguem: “Esses trabalhos sublimes são como a aurora que contemplamos do seio das sombras humanas. Há precisamente vinte e dois anos, quando eu começava a caminhar no conhecimento, em reparando a presença espiritual dos nossos amigos do outro plano, sentia-me profundamente só na tarefa da percepção direta, e porque a zombaria e incompreensão eram grande em torno de mim, recorria, muitas vezes, ao seio amoroso de nossos orientadores e eles confortavam-me exclamando que esperasse, que tempos viriam em que a voz deles soaria livre e luminosa na proclamação da verdade (17.09.49). “Estou cada vez mais entusiasmado com os trabalhos do Grupo. Os palácios da ciência onde os segredos da física nuclear estão sendo analisados nos Estados Unidos e Rússia, aos meus olhos, são bem pobres diante das claridades que o mundo espiritual está acendendo no Grupo Scheilla. Eu só peço a Jesus que conserve o Grupo na posição de uma família inseparável na crença, na cooperação e na caridade (em 31.10.49)”.

Ainda neste mesmo mês, os Obreiros do Mundo Invisível estabelecem as linhas nos quais os Grupos da Fraternidade deveriam orientar suas ações, linhas estas contidas no PROGRAMA DE TRABALHO PERMANENTE – PTP. Na sucessão dos fatos, sob orientação espiritual, é constituído oficialmente em 21.06.1952 o GRUPO DA FRATERNIDADE ESPÍRITA IRMÃ SCHEILLA e, em abril de 1956, através do médium Francisco C. Xavier, o notável Espírito André Luiz transmite uma mensagem, em Uberaba, conceituando o que é GRUPO DE FRATERNIDADE.

A semente, bem adubada e incrustada no solo da perseverança, fez resultar, inicialmente, na criação de dezessete (17) Grupos de Fraternidade, culminando com a fundação, em 04 de novembro de 1956, da “Organização Social Cristã Espírita André Luiz – OSCAL”.

Uma plêiade de espíritos lança, da Pátria Invisível, os princípios do novo Movimento, inspirado no ideal evangélico da revivescência do Cristianismo Primitivo, onde seus participantes, infatigável e impertubavelmente, devem trabalhar para o soerguimento moral e espiritual de cada criatura humana. Despertar o homem para as suas potencialidades íntimas e libertá-lo da sua prisão consciencial inferior: eis aí a Fonte inspiradora de trabalho para quem quiser ser “Fraternista”!

Toda sementeira tem sua floração; hoje são cerca de 113 Grupos em 14 Estados da Federação espraiando o ideal da fraternidade cristã. Concomitantemente, em pleno planalto central, na cognominada Chapada dos Veadeiros, município de Alto Paraíso – Goiás, ergue-se, com grandes sacrifícios, desde 1963, a CIDADE DA FRATERNIDADE, modelo de comunidade cristã para o terceiro milênio. Planejada pelos Missionários da Luz para albergar entidades que retornaram e retornarão ao mundo libertas dos laços de família tradicional, de maneira a iniciarem um novo sistema de vida, servindo ao próximo sem os aguilhões dos laços da consangüinidade.

Estão definitivamente consolidados os fundamentos do Movimento da Fraternidade!
(Escrito por Célio Alan Kardec de Oliveira, Coordenador da Organização Social Cristã-Espírita André Luiz – OSCAL, em Agosto de 2003)


Alguns momentos dessa história…

Primeiros sinais do Movimento da Fraternidade. Após um reunião no Centro Espírita Oriente, em Belo Horizonte, Américo Rafael Raniéri e Jair Soares assentaram-se à calçada da Praça Duque de Caxias e, Raniéri, percebendo a presença de algumas entidades espirituais, colocou-se em posição vibratória susceptível de entrar em sintonia com o mundo extracorpóreo.

Aproximou-se o espírito Altino e revelou-lhes então o aparecimento em futuro próximo de um “movimento” de caráter nacional que muito contribuiria para o progresso espiritual do Brasil.

Os espíritos voltaram a sinalizar a respeito do “movimento” a nascer nas montanhas mineiras. Tendo como testemunhas Jair Soares e Raniéri, o médium Amaury Guerra passou a expressar-se em fluente francês, sendo responsável pelos informes o espírito Victor Hugo.

Falou de reunião ocorrida no plano espiritual onde numerosas entidades se propuseram ao renascimento na Terra, a fim de auxiliarem na eclosão de um movimento capaz de despertar mais intensamente a chama da fraternidade dentro do Movimento Espírita do Brasil.

Raniéri mudou-se para o Rio de Janeiro por motivos profissionais e de lá continuou a receber informações sobre os futuros acontecimentos em Belo Horizonte, através do Irmão Altino.

Chico Xavier psicografa no Centro Espírita Oriente, em Belo Horizonte, a belíssima poesia de Castro Alves, intitulada “Apelo à Mocidade Espírita”, sendo a mesma o marco inaugural do Movimento da Fraternidade.

A família Soares, a qual pertencia Jair Soares, conquanto espírita, caminhava entre desolada e triste porque a esposa de Jair, Dª. Elvira Soares, vitimada por câncer pulmonar e desenganada pelos médicos terrenos, esperava a morte física a brevíssimo tempo.

De madrugada, Jair Soares é chamado ao portão de sua residência. Chovia torrencialmente. Indo atender, defrontou-se com a presença de três visitantes.

Um deles se identificou como Francisco Peixoto Lins (Peixotinho) que constrangido, escusou-se por estar ali em hora avançada, conseqüência do atraso do trem que lhes trouxera do Rio de Janeiro.

Apresentou em seguida os companheiros: Inácio Rodrigues da Silva (Marechal) e a jovem Laura. Eles vinham pedir hospedagem por indicação de Raniéri, que afirmava ser o lar da família Soares uma verdadeira pensão da fraternidade. Falando a respeito da viagem, Peixotinho esclareceu que, na manhã seguinte, partiriam para Pedro Leopoldo, para se entrevistar com Chico Xavier.

Dona Elvira, mais conhecida como Ló, encontrava-se já recolhida em seu aposento, por isso, o próprio Jair preparou os leitos para os inesperados visitantes. De manhã, foram apresentados a Ló, que dirigiu-se à cozinha para preparar o café.

Os visitantes e o anfitrião conversaram, acomodados em torno da mesa da copa, quando Peixotinho acompanhado com os olhos, os movimentos da senhora fez singular meneio com a cabeça.

Jair percebendo, interrogou-o, ao que ele respondeu:

– Ah! Agora percebi o porquê da nossa presença em seu lar. Visitar Chico foi mero pretexto da Espiritualidade para que estivéssemos aqui.

Vejo o nobre Espírito Scheilla, com o rosto próximo ao de sua companheira e dizendo-me:

“Essa é uma irmã muito querida do meu coração, precisando de tratamento, Jesus vai permitir que a curemos. Irmã Scheilla pede-me para não ir a Pedro Leopoldo e realizar uma reunião mediúnica neste lar. Tal fato sensibilizou o casal Soares devido o doloroso drama familiar.

Assim foi que aconteceu, em 11/02/1949, inesquecível reunião de ectoplasmia, com notáveis fenômenos de efeito físico.

Ló curou-se e desencarnou 22 anos depois.

A residência da família Soares tornou-se o centro da atenções de grande parte da comunidade espírita brasileira em decorrência dos extraordinários fenômenos que ali passaram a ocorrer. Espíritos que se manifestaram na época: Joseph Gleber, Scheilla, Fritz, Palminha, José Grosso, André Luiz, Garcez, Sads, Maria Alice e tantos outros.

Tais fenômenos ocorreram até o final de 1949 e menos extensivos daí por diante, por determinação da própria Espiritualidade, pois, importava doravante não somente a materialização dos espíritos, mas notadamente as conseqüências da presença deles por múltiplos processos e de forma a despertar-nos para um modo diferente de viver.

Na reunião de ectoplasmia, na residência da família Soares aconteceu um fato inusitado. O Espírito Scheilla, materializado, destacou alguns dos presentes para fazer uma visita a um enfermo (Washington Dias). Naquele tempo o Espiritismo era pouco conhecido e não era habitual atender a enfermos em casa.

Estava assim realizada a primeira Tarefa Socorrista por parte daqueles que acalentavam o desejo de se moverem fraternalmente no mundo.

Instalação do Primeiro Grupo da Fraternidade, o Grupo da Fraternidade “Irmã Scheilla”. Foram também traçados, nesta data, pela Espiritualidade as normas para nortearem o funcionamento do mesmo.

Estas normas somente tiveram sua relevância reconhecida em março/1983, por ocasião da elaboração do Estatuto Padrão da OSCAL – Organização Social Cristã-Espírita André Luiz, no seu artigo 14 com a titulação: Programa de Trabalho Permanente – PTP, destacando os seguintes itens:

  • Ensino da Doutrina Espírita e do Evangelho;
  • Assistência Social Espírita;
  • Tarefa de Passes;
  • Formação de Ambientes Espiritualizantes.
Estes pontos constituem os objetivos a serem observados e vividos no Grupo da Fraternidade e, sem a interação entre os mesmos, o grupo não se afirma verdadeiramente como “de fraternidade”.

A formação de ambientes espiritualizantes em todas as atividades grupais da Instituição, com ramificação para os lares, locais de trabalho ou de convívio social, de maneira a expressar os lídimos sentimentos da fraternidade cristã!

Texto extraído do Livro – Movimento da Fraternidade de Célio Alan Kardec de Oliveira

Veja a Cartilha Histórica do MOFRA